quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Foi há um ano

Faz hoje um ano que o Tobias passou a Rainbow Bridge para o seu passeio eterno. O tempo, qual grande escultor das metamorfoses da alma, foi suavizando com sabedoria as arestas da dor que nos dificulta enxergar que a vida, afinal, continua.

Quis o destino que na data em que o Tobias partiu, a Cristiana, dona de um coração sem tamanho onde cabem cães e gatos que de mimos ou atenção careçam, como se avisada por Bastet, tivesse tropeçado num gatinho abandonado algures numa rua de Guimarães.

Dúvidas e hesitações retardaram a adopção do Matias. Em Fevereiro fui conhecer o bichano Matias a Guimarães. Esperto, logo se apercebeu  que ambos precisávamos de adoçar os dias e depressa se apressou na tarefa da sedução pedindo mimos e carinhos Não sei quem ficou cativo, mas ambos fenificiamos hoje dos mimos e dos silêncios comunicantes.

A Cristiana já me tinha “alertado” para o facto de eu ainda não ter escrito nada sobre o Matias. Eu tambem já me tinha perguntado porquê. Não sei bem, mas no fundo acho que a razão é simples. Às vezes ainda chamo Tobias ao Matias. Hoje, há que dizer ao Tobias que o Matias nunca o substituirá, mas porque são diferentes cada um deles ocupa um lugar especial na minha vida.
Obrigado Cristiana por ter recolhido o Matias e por ter permitido que ele me tivesse encontrado.
 
 
 
 
 
 

sábado, 20 de Dezembro de 2008

Se souberem ser dignos de um gato, ele tornar-se-á vosso amigo, mas nunca vosso escravo.

(Théophile Gautier)

sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

A Viagem

A preparação não foi fácil. Não fosse o motivo, teria sido adiada. Seria a primeira em muitos anos em que não teria o meu Companheiro nestas andanças entre Porto e Lisboa. Desta vez já não houve sequer a preocupação de disfarçar os preparativos da viagem. Aliás, os disfarçes nem resultavam. Não era preciso eu começar arrumar o saco de viagem para que ele se apercebesse que haveria umas horas incómodas de viagem de carro. Ele pressentia, descodificava qualquer sinal de ansiedade que denunciasse que ia haver viagem. Nesses momentos a preocupação dele era esconder-se fosse onde fosse. Ambos já conheciamos bem todo o ritual de preparação, mas continuavamos a fazer o jogo do disfarçe e do esconde. Detestava estas viagens mas quando a chaminé já estava à vista, notava-se a ânsia pelos momentos de consolação que se seguiriam quando eu passasse o portão e lhe abrisse a porta do carro para que ele fosse a correr espojar-se vezes sem conta pelo chão do parque junto à garagem. Só depois do reconhecimento territorial na rua, teria urgências de ir inspecionar os cantos da casa. Desta vez, não. Já não houve rituais. Nem na partida nem na chegada. Saí do Porto com uma sensação de abandono que me dificultou a partida e cheguei com um sentimento de ausência ao entrar em casa em Lisboa. O cobertor lá estava na cadeira da sala, amarrotado ainda pela última soneca que ali deu no dia 24 de Julho. Cheio de pêlo e restos das unhas que ali deixou. Lá jaziam ainda pois a Laura não terá tido tempo de arrumar.
ronron, tobias.
aamorim

sábado, 27 de Setembro de 2008




O Meu Companheiro morreu.
Gastou as sete vidas em sete horas. Em cada uma delas ele resistiu em agonia até que, esgotada a sétima hora ele morreu. Eram 19 horas quando a sua vontade de resistir sucumbiu à agonia . Partiu para o Reino de Bastet às 19horas quando o seu coração silenciou. O meu companheiro era o Tobias. Lindo. Meigo Inteligente. Curioso. Misterioso. Elegante. Idependente. Amigo atento e Brincalhão. Exigente nos mimos e na pescadinha matinal. Súbtil e telepático, retribuia com afectos roronantes. Astuto e ágil caçador quando alguma presa mais distraída lhe estava ao alcance. Dorminhoco, sem sintomas de insónias, entregava-se com frequência nos braços de Morfeu onde certamente sonharia com fantásticas caçadas de borboletas. Afectuoso, quando à noite ia dar uma cochilada nalgum colo a jeito, antes de ir adormecer na sua cadeira preferida. Este leal companheiro repousa agora no Panteão Real do Reino da Deusa Bastet. Lá poderá certamente participar de Caçadas Reais e espreguiçar-se nas areias mornas e douradas deliciando-se com o calor do Sol e as brisas dos bosques. Se as suas caçadas o premiarem com uma oitava vida, tenho a certeza que ele virá procurar-me para a pescadinha da manhã.

Adeus Tobias